Carlos Mendes

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ABC da Política

Somos escravos

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Publicado em 10/08/2017 11:00h

Somos escravos

O Pará não é somente campeão de trabalho escravo. O próprio Estado mantém sua economia na escravidão, subordinada aos interesses corporativos das grandes multinacionais que aqui atuam e daqui levam colossais riquezas. Isto poderia começar a mudar se houvesse uma revisão criteriosa na política de incentivos fiscais. A norueguesa Norsk Hydro, por exemplo, goza as delícias de uma isenção de ICMS de R$ 7,5 bilhões até 2030. Nesta realidade, o rabo abana o cachorro.

Modelo podre

Um grotesco equívoco, por exemplo, é esta isenção do ICMS para a cadeia da bauxita, mantida desde 1993. Outras 40 grandes empresas usufruem do benefício. O Estado alega que a isenção serve de estímulo para a geração de mais empregos. A cobrança de impostos seria mais eficaz. Tudo se resume numa cruel equação social: se o Pará tem gerado muita riqueza para poucos, para muitos resta a miséria urbana. A simples mudança de governo nada irá mudar se esse modelo econômico apodrecido e concentrador se mantiver intacto.

PIB parrudo

Não se pode negar que o Produto Interno Bruto (PIB) paraense deu um salto gigantesco nos últimos 40 anos. Mas e o resultado disso para os 8,5 milhões de habitantes? Em 1975, o PIB era de 2,4 bilhões de dólares. Em 1987, pulou para 5,3 bilhões. Hoje, passados trinta anos, atingimos 40 bilhões de dólares. Até 2020, a estimativa é de atingirmos 50 bilhões de dólares, ou R$ 150 bilhões.

Renda ridícula

A exportação de ferro e outros minerais, além de gado e madeira, fizeram nosso PIB subir como foguete. A soma de todas as riquezas, contudo, não fez crescer a qualidade de vida da população. Tanto que um quarto dos paraenses ampara-se no Bolsa Família para sobreviver. Dá vergonha, isso.

Vida bandida

O serviço de inteligência da Vale já suspeitava quem estaria promovendo sabotagem nos trilhos da Ferrovia de Carajás. A Polícia Federal foi fundo na investigação e prendeu os envolvidos. O que chama a atenção foi o pedido dos bandidos de R$ 15 milhões na conta da chantagem contra a empresa para não praticar outros atentados. Tudo indica que os criminosos queriam ficar ricos da noite para o dia. E financiar outros crimes.

Chama, Lourdes

Há 1 ano, os concursados do Tribunal de Contas do Pará (TCE) prestaram as provas para os mais de 90 cargos oferecidos no concurso do órgão, em 2016. Até agora, porém, meia duzia dos aprovados foi chamada. A presidente da corte, Lourdes Lima, faz as nomeações à base de conta-gotas. Se é lenta para os concursados, a caneta de Lourdes é rápida para nomear D.A.S para os gabinetes dos conselheiros. Para os apadrinhados, a janela está aberta. Pode pular.

São iguais

O presidente Michel Temer quer impedir o procurador-geral da República de investigá-lo e denunciá-lo. O ex-presidente Lula queria impedir o juiz Sérgio Moro de julgá-lo. Nos dois casos, ambos alegam perseguição. Eles não querem ser importunados por quem cumpre seu dever constitucional. Dá para matar de rir.

 

_________________________BASTIDORES______________________

 

* Foragidos de penitenciárias de vários estados ligados ao PCC estariam atuando no sul e sudeste paraense, preparando ataques contra bancos e agências dos Correios.

* A inteligência policial, do Estado e federal, já sabem que esses criminosos se movimentam de um local para outro, inclusive nas rotas do tráfico de drogas.

* Ex-prefeitos de São Miguel do Guamá, Vildemar Fernandes e Márcia Cavalcante, responderão na Justiça por quatro ações civis públicas por desvios de recursos públicos.

* O procurador Jorge Rocha é o novo corregedor-geral de Justiça do MP estadual. Ele substitui a Almerindo Leitão. Trabalho terá de sobra.

* PSDB nacional reconhece seus erros em jogada de marketing nacional para desembarcar do governo Temer.

* Enquanto isso, no Pará, Simão Jatene e seus tucanos nem pensam em reconhecer seus erros cometidos por estas bandas.

* O lado social, o mais negligenciado, está fora dessa avaliação do PSDB, apesar dos índices dramáticos de desenvolvimento humano em várias regiões paraenses.

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