Carlos Mendes

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ABC da Política

Agiotas no governo

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Publicado em 02/11/2017 09:22h

Agiotas no governo

Agiotas no governo (1)

Os fiscais de contas públicas e os próprios tribunais ainda não perceberam, mas se perceberam se fingem de mortos, para o domínio que os agiotas começam a exercer sobre algumas prefeituras do Pará. Tudo tem a ver com o financiamento de campanhas eleitorais por esses agiotas. Há candidatos que se submetem à entrega de secretarias, obras e serviços das prefeituras, depois de eleitos, como pagamento pelo dinheiro liberado para suas campanhas. E quem não se submete a isso, morre.

Agiotas no governo (2)

Um vereador do sudeste paraense contou à coluna como o esquema funciona. O candidato pede dinheiro emprestado ao agiota alegando que parte dos gastos será para atender pedidos de eleitores, que precisam pagar contas de luz, remédios ou para reformar a casa. No dia da eleição, também há despesas com abastecimento de carros e motocicletas de cabos eleitorais, além da famigerada boca de urna. O agiota banca isso, mas o preço é uma boa fatia do bolo do poder.

Sistema podre

É evidente que esses criminosos se infiltram nas prefeituras porque o sistema eleitoral está apodrecido e precisa de mudanças. Ganha eleição quem tem mais dinheiro, não ideias ou projetos. Isto é válido também para campanhas ao governo estadual e legislativo. Ora, se agiotagem é crime, por que não se investiga também os políticos, além de punir os próprios agiotas? Resposta: quando o Ministério Público Eleitoral acordar. Aliás, ele só funciona em época de eleição. Depois, some do mapa.

Que conta é essa?

Nos temos as duas maiores hidrelétricas do país genuinamente nacionais – Tucuruí e Belo Monte – e nem assim somos tratados com o devido respeito pelo governo federal. O tratamento que recebemos da União é na base chicote. Apanhamos sem reclamar, como apanhavam os escravos nas senzalas do Brasil antigo, o que parece nada ter mudado nos dias de hoje. Já se fala que a energia elétrica terá aumento cruel, de 30% ou mais, porque no centro-sul a seca dos rios faz entrar em ação as usinas termelétricas.

Alô, bancada..

Se geramos energia limpa para eles, por que querem nos impor um aumento criminoso? Cadê e o que faz a nossa bancada federal em Brasília? É bom esquecer por ora a eleição e reeleição em 2018 e pensar nessa armação para cima de nós. Essa conta não é nossa e não devemos pagar por tal aumento de tarifa. Ao contrário, deveríamos ter redução na conta de luz. Alguma coisa está fora de ordem. Ou na desordem total.

Conta outra

Agentes do Ibama metidos em corrupção com madeireiros. Há tempos que se ouve isto por toda a região. A Polícia Federal precisou fazer um “grampo”, com autorização da justiça, para pegar os malfeitos praticados em Marabá. Se a PF for bem fundo nessa estória vão aparecer mais casos. Inclusive de exploração ilegal de madeira em reservas indígenas. Há coisa cabeluda.

 

_____________________BASTIDORES_______________________

 

* O ambiente político está bastante agitado: a ex-governadora petista Ana Júlia Carepa entrou com armas e bagagens no PC do B, porque perdeu espaço para o senador Paulo Rocha dentro do PT.

* Por outro lado, o ex-senador Mário Couto, que brigou com o PSDB e detonou o governador Simão Jatene, inclusive em livro que acaba de lançar, fez festa em Belém ao ingressar no PP.

* O ministro Helder Barbalho, com apoio e montado na máquina federal, pavimenta sua candidatura ao governo, frequentando reuniões até de ex-adversários políticos.

* Adnan, o supersecretário tucano de Jatene, além do senador Flexa Ribeiro, resmungam e cobram do governador uma definição sobre o candidato do partido, ano que vem. Jatene, que anda às voltas com a rebeldia do vice, Zequinha Marinho, mantém o silêncio.

* Já o presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda, que algumas araras e tucanos dizem ser o preferido de Jatene, faz reuniões dia e noite e sondagens nos arraiais políticos.

* A hidrelétrica de São Manoel, localizada entre o Pará e Mato Grosso, mais uma vez enfrenta problemas. O Ministério Público Federal quer invalidar a licença de operação e morde os calcanhares do Ibama para que isso aconteça.

* O motivo é o mesmo de outros grandes empreendimentos na Amazônia: os responsáveis pela obra estão se lixando para os impactos ambientais sobre povos indígenas. No caso, os índios Munduruku, Apiaká e Kayabi.

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