Carlos Mendes

Carlos Mendes

ABC da Política

A tibieza do Márcio

Colunas ABC da Política

251 Visualizações

Publicado em 30/11/2017 10:41h

A tibieza do Márcio

A tibieza do Márcio

Impressiona a tibieza com que se comporta, desde o sábado passado, o deputado Márcio Miranda, presidente da Assembleia Legislativa do Pará, já confirmado pelo governador Simão Jatene como seu pré-candidato ao governo, em 2018. A partir dessa confirmação, feita em Santarém, Miranda entrou num ensurdecedor silencio, inclusive fechando qualquer canal de contato com jornalistas. Até agora, não disse se aceita, se não aceita, se vai pensar, nada. Nos bastidores, fala-se que ele morre de medo de entrar em rota de colisão com o vice-governador, Zequinha Marinho. Se é só por causa disso, o medo é injustificável.

 

Vice sai da toca

Não é mais novidade que Marinho queria assumir o governo e ele próprio ser o candidato à sucessão de Jatene, o que fez o governador recuar da intenção de candidatar-se ao Senado. O esquema furou. O presidente da Alepa, por outro lado, só aceitaria sair candidato, com o apoio de Jatene, se Marinho assumisse o governo e ficasse até o final de dezembro de 2018, o que o vice não concorda. A outra alternativa, a que ganhou corpo desde sábado, é Jatene ficar até o final do mandato e apoiar Miranda. Então, por que tanto medo de Marinho, se vice não manda nada e não tem como atrapalhar a estratégia definida pelo governador? Talvez seja a carta na manga do vice, de apoiar Helder.

 

Senado, pra assustar

Enquanto o presidente da Alepa pisa em ovos e foge dos jornalistas, Zequinha Marinho joga mais gasolina na fogueira. E anuncia, como antecipou no sábado em Xinguara – coincidência com a decisão do governador, em Santarém? – que será candidato ao Senado, pelo PSC. De onde o vice tirou esse coelho político da cartola, pouco importa. A intenção parece clara: dar um susto em Jatene e ao mesmo tempo oferece-se para receber o calor da máquina oficial à intenção de ir para Brasília. Aí mora o perigo: o senador Flexa Ribeiro, tucano de carteirinha, também é candidato à reeleição e preferido de Jatene. O vice não se intimida.

 

Padrinho Helder

O “namoro” com o ministro e peemedebista Helder Barbalho continua forte – Zequinha Marinho tem aparecido em fotografias ao lado dele – mas o noivado político só será oficializado se Jatene der o “fora” nele. Mas até para receber apoio de Helder e a preferência na candidatura ao Senado, Marinho terá de engolir um osso duro de roer: o ex-senador e tucano desgarrado Mário Couto, que já voltou às boas com os Barbalho e costura forte apoio ao Senado. No que vai dar tudo isso, ninguém sabe. Nem os videntes fracassados da política paraense.

 

Sonegador até quando?

O secretário estadual da Fazenda, Nilo Noronha, cobrando pelo Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual (Sindifisco), mandou para a entidade a relação dos 100 maiores sonegadores. É gente que deixa de recolher bilhões aos cofres públicos, mas o governo não toma nenhuma providência para que isso ocorra. No tal listão, uma falha grave: ao lado do nome de cada sonegador não há o valor sonegado. Tão ruim quanto isso é a sonegação que o secretário faz da informação sobre o dinheiro que cada um não recolhe ao erário. E a transparência do governo, onde fica? Pelo visto, no lixo.

 

______________________BASTIDORES__________________________

 

* Números para pensar sobre a dinheirama sonegada no Pará que tanta falta faz para investir em educação, saúde e segurança: a Cerpasa, maior cervejaria do Norte, deixa de recolher mais de R$ 2 bilhões.

* E a Celpa, com seu alicate sempre amolado para cortar a luz dos consumidores em débito, sonega mais de R$ 1,5 bilhão.

* Jatene, que sempre chora falta de recursos quando o calo das cobranças aperta, não move uma palha para botar os 100 maiores sonegadores nos trilhos. E isto, justiça se faça, não é de hoje.

* Outros governantes do Estado fizeram o mesmo nos últimos 50 anos, incluindo os do período militar. Tudo por uma razão bem simples: sonegadores são bons mecenas de campanhas eleitorais.

* Aliás, veja quanto custará a eleição de um político em 2018, segundo regra definida pelo Senado: presidente, 60 milhões; governador, 20 milhões; senador, 10 milhões; deputado federal, 6 milhões; deputado estadual, 2 milhões.

* O papel aceita tudo, mas a prática é outra. Alguns políticos gastarão bem mais do que isso. Os que podem gastar, lógico.

* Quem viver até lá, verá.

Comentários

Deixa seu comentário abaixo sobre esta notícia: