Carlos Mendes

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ABC da Política

“Pedra no tarado”

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Publicado em 12/10/2017 09:22h

“Pedra no tarado”

A sessão de terça-feira, 10, da Assembleia Legislativa, estava meio morna, caindo na sonolência, quando o deputado Martinho Carmona (PMDB), da tribuna, ao falar sobre as polêmicas exposições de arte em Porto Alegre e São Paulo, sugeriu o que uma criança deve fazer se alguém lhe disser para pegar nas suas partes íntimas: “esperneie, grite, chame alguém, jogue pedra no tarado”. A plateia explodiu na gargalhada.

Calou, consentiu

Não adianta tapar o sol com peneira: o Pará, segundo indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), acordo internacional assinado por 193 países para erradicar pobreza, reduzir desigualdades, promover paz e segurança até 2030, possui um dos piores índices do Brasil na taxa de alunos que abandonam o Ensino Médio nos primeiros anos e a menor pontuação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O governo estadual evita falar sobre o assunto. Pior para o governo.

Números cruéis

No Ensino Médio, diz o ODS, metade dos adolescentes paraenses tem distorção série x idade: são 49,9%, enquanto a média nacional é 27,4%. Isso significa que cerca de metade dos matriculados no Ensino Médio encontra-se em situação de atraso escolar por pelo menos dois anos. A taxa de abandono do Ensino Médio no Pará é 2,5 vezes maior que a média brasileira: 16,8% contra 6,8% da média nacional. Dá vergonha ler isto. O deputado Carlos Bordalo soltou a goela no plenário da Alepa.

Burrice oficial

O Pará também está na lista dos piores estados brasileiros quando o assunto é alfabetização da população entre cinco e 17 anos de idade: 18% (373.205 mil) não é alfabetizada. Em primeiro lugar está o Maranhão, com 18,7%. A média regional de não alfabetização para esta faixa etária é 15,6% e a nacional, 11,4%. Ou seja, nada é tão ruim quanto a burrice oficial, que enfia a cabeça na areia feito avestruz para fugir da dura realidade.

A saída comunista

A ex-governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, decidiu sair do PT. Ela arruma a bagagem para desembarcar no PC do B. Teria entrado em rota de colisão com a maior liderança do PT no Estado, o senador Paulo Rocha. Um petista roxo disse à coluna que Ana Júlia queria sair novamente candidata ao governo, em 2018, mas o pessoal de Rocha disse um sonoro “não”. O próprio Rocha é quem irá disputar a vaga, na convenção petista.

O genro e o jornal

Ele está furioso, dizendo que é mentira e que nunca teve R$ 3 milhões no escritório assaltado. Genro do governador, Ricardo Souza, casado com Izabela, filha de Simão Jatene, garante que os bandidos levaram apenas R$ 23 mil, uma televisão e algumas canetas do escritório. O “Diário do Pará”, que estampou manchetes sobre os R$ 3 milhões, ficou no dever de se retratar ou confirmar o que disse.

Alvo, a escola

Ladrões pensam em acabar com a educação no Pará, roubando computadores, professores e alunos de escolas públicas, inclusive universidades. Não há um dia em que a imprensa não noticie um arrombamento ou assalto nesses locais onde a única riqueza que se guarda e distribui é o conhecimento. Os presos, quando alcançados pela polícia, são geralmente muito jovens. Deveriam estar na escola, mas optaram pelo crime. Triste geração.

 

________________________BASTIDORES_______________________

 

* Fafá de Belém, a cantora, virou garota-propaganda da Agropalma, empresa acusada pelo Ministério Público e pelo Incra de fraudes em 100 mil hectares de terras em cartórios do Acará, Moju, Tomé-Açu e Tailândia.

* A imagem de Fafá está nas TVs e rádios de Belém, vendendo o peixe da Agropalma. A empresa diz que em 35 anos de atuação no Estado já investiu R$ 12 bilhões. E de isenções fiscais, inclusive as secretas, quanto recebeu?

* Durante reunião na segunda-feira, em Brasília, com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o procurador-geral de justiça do Pará, Gilberto Valente Martins, defendeu que o Ministério Público do Pará (MPPA) e o Ministério Público Federal (MPF) fortaleçam a parceria para tratar da questão agrária e dos constantes conflitos pela posse da terra registrados no Pará.

* Valente citou o recente caso do município de Pau D’Arco, em que 10 pessoas foram mortas em uma fazenda durante uma operação policial. Mas esqueceu de citar o caso Agropalma.

* E o TCM, hein? Por ordem de seu presidente, Daniel Lavareda, o pessoal do gabinete militar do órgão participou de um “treinamento de tática e tiro policial”. Foram 20 PMs e 4 bombeiros no tal treinamento.

* Melhor do que o treinamento, é a explicação do chefe da casa militar do TCM, coronel Alfredo Verdelho Neto: “esses treinamentos são de extrema importância para as missões de área do Gabinete Militar, uma vez que, havendo necessidade do uso de armamento letal, não podemos nos dar o direito ao erro, pois temos vidas sob a nossa responsabilidade”.

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